Quando eu parei
de precisar?

Publicado em 27 de novembro de 2019

Ao ver o título desse texto, você caro leitor, deve ter pensando: precisar do quê? Da comida? Dos remédios? Das festas? Da família? Da mulher? Do marido? Dos filhos? Dos amigos? Da casa? Da fé? Do dinheiro?

Sim, tudo isso é muito importante. Pilares para se ter uma boa passagem por essa Terra. Mas são importantes não porque a sociedade diz. São importantes no instante em que você precisar para si mesmo que o são e em qual direção. Então já ficou claro que o precisar do título tem a ver com precisão.

Essa palavra deriva do latim praecisĭo, que quer dizer corte, ou seja, limite. Se olharmos para ela com o olhar físico ela nos dirá que é o verdadeiro valor de uma quantidade indicada. Que nos remete a exatidão. Ser preciso é sinônimo de ser exato.

E essa é uma pergunta que tenho me feito há algum tempo, olhando para minha vida como um todo: pessoal, profissional, espiritual e amorosa.

Quando foi que eu deixei de buscar, em mim mesmo, a precisão necessária para alcançar os meus sonhos, objetivos e aspirações?

Provavelmente por volta dos sete ou oito anos de idade. Lembro que até essa época, era uma criança de sorriso fácil, espontânea, questionadora e sonhadora. Mas algo aconteceu depois disso. Hoje quando olho para minha filha, que tem quase dois anos, vejo tudo isso que relatei acima. E vê-la nesse modo de funcionamento me contagia, me deixa profundamente esperançoso. É possível! Vejo o quanto ela é curiosa, testando todos os limites, buscando a precisão de fora que condiz com a de dentro. Uma luz buscando uma luz…

Pensando nisso, me lembro de um trecho de Notas do subsolo, de Dostoiévski que diz: “Torturava-me então mais uma circunstância: o fato de que ninguém se parecesse comigo e eu não fosse parecido com ninguém. Eu sou sozinho, e eles são todos, dizia de mim para mim, e ficava pensativo”.

Tenho uma vaga lembrança de que experimentava esse sentimento que Dostoiévski nos transmite com o trecho relatado. E talvez essa estranheza foi a mola propulsora para que eu deixasse de precisar e começasse a parecer. Ser como todos são: parecidos, uniformes… iguais?!

Agora sim, sei que queria ser aceito, fazer parte, pertencer. Mas pertencer a quem? Não a mim mesmo? Não aos meus mais íntimos desejos? Pois é… Comecei então a encapsular os meus sentimentos, sonhos e objetivos para poder fazer parte desse grupo seleto e único de parecidos. Começou com os esportes, apesar de nunca ter me destacado. Talvez seja por isso, que a cada 3 meses mudava. Ora era o judô, depois a natação, depois o futebol, depois o basquete, o karatê, o skate, o patins, o hockey… UFA… Que canseira!

É meu caro leitor, ser aceito e parecido dá um trabalhão da porra! E depois de grande então? Ter um corpo bonito, ou seja, magro e trabalhado na academia. Ir às festas, beber, fumar, experimentar os tóxicos… Depois escolher a profissão, conseguir estágio, trainee, ganhar tantos mil reais até os 30 anos, casa própria, casamento, filhos, viagens internacionais e quando você vê está com quase 40 e não tem uma pica de uma ideia das razões que te levaram até o lugar que se encontra.

Que por sinal, você não faz a mínima ideia de onde está! Como que se estive ido dormir em um lugar e acordado em outro. Totalmente assustado com essa loucura. Como um pesadelo daqueles que deixam os lençóis da cama todos molhados, de torcer.

Aí se sente perdido e a queda começa a acontecer… vai caindo, caindo, caindo e quando acha que chegou no fundo desse buraco, ainda tem mais! Mas chega um momento em que você encontra o fundo e olha pra cima e vê luz, por mais escuro que possa estar ao redor. Sim, você se sente perdido, angustiado, mas a luz te traz uma esperança.

Ao ver a luz e onde e o que ela ilumina, você percebe que ela desinfeta. Que limpa e o quanto ela é necessária e um guia para você sair desse buraco. Pois bem, não vai achando que será fácil, que não se machucará na escalada de volta. Vai doer! Provavelmente os machucados formarão casca que te atrapalharão nesse momento, mas depois te ajudarão nos futuros tombos.

“Não permita que as tuas feridas te tornem quem você não é”

Ops, talvez eles te tornem mais sensíveis em alguns aspectos, fique mais ressabiado do que deveria. Acabei de receber de um grande amigo a seguinte frase do Paulo Coelho: “Não permita que as tuas feridas te tornem quem você não é”. Aí é contigo meu caro leitor! Precise para você mesmo o que as feridas representam e como vai encará-las

Isso mesmo, precise, faça as escolhas com base nos seus desejos, nos seus sonhos e nos resultados que quer alcançar e não para ser aceito e parecido! Lembre-se que ser parecido dá um trabalhão da porra, e que precisar também! E se o trabalhão será equivalente, por que não continuar a ser uma criança de dois anos? Testando os limites, sorrindo para as pequenas coisas da vida, se maravilhando com brincadeiras “bobas”, sabendo com quem se vincular pois compreende quem realmente quer se vincular a você, mesmo que seja só naquele instante.

Se tiver mangas, depois desse baita tombo, arregace-as. Siga essa luz com gosto de esperança. Construa a sua vida com base nas suas mais íntimas precisões e aí sim a comida, os remédios, as festas, a família, a mulher, o marido, os filhos, os amigos, a casa e/ou o dinheiro lhe serão úteis e preciosos!

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